Review MediaOn 09: primeiro dia

MediaOn 09 - Painel 1

Graças ao trânsito de São Paulo, acabei chegando atrasado no primeiro painel do MediaOn 09, 3º seminário de jornalismo online, que prossegue até esta quinta-feira no Itaú Cultural.

O primeiro painel, “Revolução Digital – o planejamento dos grandes grupos de mídia num universo de mudanças permanentes”, reuniu três representantes de estilos de mídias diferentes que estão presentes na Internet. Antonio Guerreiro, gerente de conteúdo do R7.com, representava a entrada de uma emissora de TV na web. Fabiana Zanni, diretora de mídias digitais do Grupo Abril, uma editora com publicações segmentadas. E Pedro Doria, editor-chefe de conteúdos digitais do Estadão, representando o jornal impresso na era digital.

Entre os pontos abordados, o conceito de comunicação 360º, integração entre redações, modelo de negócios ainda por definir, e o conteúdo pago. Fabiana Zanni abordou os diferentes alcances de uma marca ligada a uma revista, no caso a Capricho, que está presente em redes sociais, mobile, eventos, reality show e produtos licenciados.

A regionalização da internet também foi apontada no painel. É um segmento que possui demanda publicitária. Guerreiro disse que no futuro os grandes veículos devem fazer parcerias locais, ou farão seus próprios conteúdos regionais. E ainda comentou sobre as características do R7, e que haverá novidades em operações cross-media em A Fazenda 2.

O segundo painel, “como a BBC conquistou a liderança nas mídias digitais”, levou Nathalie Malinarich, editora executiva da BBC News Online, ao palco do MediaOn. Ela abordou as mudanças que o site da BBC vem sofrendo ao longo dos anos e o problema da organização de todo o conteúdo imenso gerado para uma melhor experiência do visitante, com o uso de metadados.

MediaOn 09 - Painel 2Um dos pontos interessantes foi a iniciativa de recomendações de reportagens e uso de links para sites externos e blogs, representando – ao contrário do que se pensa – uma valorização editorial. Com a Internet sendo vista como mídia de mão dupla, defendeu a colaboração dos visitantes e o uso das mídias sociais para aprimorar as técnicas. E mais: o foco no conteúdo mobile e a produção de conteúdos multimídia que se complementam entre si.

Marcos Foglia, do grupo Clarín, foi o convidado do terceiro painel do dia: “Clarín – a estratégia de um gigante das comunicações na Argentina”. Enfatizou que a mídia jornalística está passando por uma fase de transição, necessitando do esforço na preparação de grande parte dos jornalistas.

Lembrou que a publicidade não se move na mesma velocidade que o público do papel para o digital. Mesmo nos EUA, o ritmo ainda é muito lento. Durante a apresentação, pausa para o vídeo “Social Media Revolution”.

O conteúdo pago voltou a ser assunto do MediaOn neste painel. Foglia diz não acreditar, por experiências já feitas por outros veículos, que tenha sucesso.

Perguntado por mim sobre como as reportagens multimídias do site do Clarín são produzidas, ele afirmou que existem dois setores, o jornalístico e o criativo (técnico), que estão sempre em contato discutindo as produções.

O último painel do dia foi sobre “Jornalismo sem intermediários – Twitter e blogs aproximam fontes e consumidores da informação”, com Camilla Menezes (filha do técnico Mano Menezes e responsável por seu twitter), Altino Machado (Blog da Amazônia, Terra Magazine) e Danilo Gentili (CQC/Band).

Resumindo: enquanto Camilla contou a trajetória do blog do técnico do Corinthians, um dos mais influentes do mundo, Gentili falava curto e certeiro sobre a questão da autocensura na Internet (“se eu moderar meus posts, deixarei de ser eu, e aí perde a graça”). Os dois meio que duelaram no palco, quase partindo para o pessoal. Para quem esperava euforicamente por um pocket show do humorista…

Infelizmente não é possível para todos serem “eles mesmos” no Twitter. Algumas profissões exigem uma postura diferente, não por parte delas, mas sim por parte do próprio público, que pode não entender essa questão da vida fora do expediente.

Ficou meio estranha a explicação que o twitter de Mano não seja moderado. Afinal, mesmo que sem querer, o fato de duas pessoas publicando palavras em nome de apenas uma pode quebrar a independência. Ao meu ver, um limite bem tênue com serviço de assessoria.

Entre os dois, Altino Machado abordou a cobertura jornalística envolvendo a região amazônica. Relembrou a cobertura do assassinato de Chico Mendes, na época pelo Estadão, via Telex. “Parece que a Amazônia, apesar da importância e potencial, é um território sem lei, entregue ao Deus dará. Ele ainda comentou sua experiência com os blogs e sua interatividade.

Tweets em telão roubam a cena

Começou com uma simples sátira aos nossos hermanos argentinos. Terminou com uma gargalhada coletiva que parou o MediaOn 09. O que roubou a cena do primeiro dia de painéis no 3° Seminário Internacional de Jornalismo Online foram os tweets exibidos em telão.

A projeção, como já é de praxe, seria somente para exibir apresentações dos convidados. Mas durante os debates e o tempo de espera entre um painel e outro, foi exibida uma timeline atualizada em tempo real do Twitter, com mensagens relacionadas ao MediaOn.

A princípio, seriam para mostrar comentários, frases destacadas de painelistas e perguntas por quem acompanhava direto do Itaú Cultural ou pela transmissão ao vivo pela TV Terra. Na minha opinião um erro, já que desvia o foco da atenção dos ouvintes, mesmo que involuntariamente. Inclusive cheguei a comentar isso com outros participantes.

Mensagens excêntricas do Twitter no 1º dia do MediaOn 09Entretanto, a partir do painel 3, do case Clarín, por Marcos Foglia, o espaço foi usado para declarações engraçadas. Começou com o tweet “O Marcos Foglia se parece um pouco com Messi, não?”. Risadas contidas começaram a surgir da platéia. Ele parece ter se tocado e tentou dar uma olhadinha no telão, mas continuou sem entender.

Mas a bomba surgiu mesmo durante o último painel do dia. Até surgiram cantadas para o repórter do humorístico, mas o que fez todo o MediaOn gargalhar foi um tweet projetado tirando um sarro da mediadora. A crise de riso foi tão grande, que a organização do seminário cortou a projeção da timeline no telão. Mas isso não foi suficiente para cessar com as sátiras no Twitter.

Passado o momento, foi uma oportunidade de presenciar, in loco, o poder de uma ferramenta online como as mídias sociais. É o verdadeiro caso do “ao vivo”, que me lembra o que Beatriz Sarlo diz sobre a TV. Tudo está acontecendo ali, sem mediações, causando maior impacto.

O caso provoca uma longa discussão que passa por bom senso, interesse, privacidade, interpretações variadas, os valores da vida offline que infelizmente se distorcem quando está online e, porque não, senso de humor. Uma sátira a um palestrante/mediador deve ganhar o mundo – e o pior, no caso – o telão do próprio seminário, ou ficar restrito ao colega do lado? É engraçado, mas não teria sido um exagero?

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