Impressões do 3º Tendências Conectadas nas Mídias Sociais

Montagem - III Tendências Conectadas às Mídias Sociais

Aconteceu no sábado, dia 14, o III Seminário Tendências Conectadas nas Mídias Sociais, na Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo. Levantei cedo para pegar o ônibus e metrô depois de ter recebido a confirmação da inscrição na véspera. Meu nome estava na lista de espera.

Pela primeira vez, o seminário foi transmitido ao vivo em vídeo pelo site da Cásper. Havia também um live report pelo Twitter. Um recurso bem interessante para quem mora longe e queria assistir e, ainda, participar. Aí vamos para os principais acontecimentos e algumas reflexões.

“Convergência tecnológica e as mídias” foi o tema da primeira mesa de discussões, com a presença de Fabiana Zanni, diretora de mídia digital da editora Abril, e Pedro Dória, diretor do Estadão Online.

A apresentação de Fabiana esteve focada em iniciativas feitas por grandes sites de notícias estrangeiros, e um estudo de caso dos três últimos grandes acontecimentos midiáticos: a posse de Barack Obama, a reunião do G20, e a morte de Michael Jackson. Ela citou, dentre outras iniciativas, a parceria CNN/Facebook na cobertura ao vivo da posse de Obama (vídeo + interatividade), a valorização das fotografias, cobertura em tempo real via Twitter (com ou sem filtros hashtag ou de contas de repórteres), uso de mapas e a flexibilidade do layout, com inserção de vídeos e galerias de fotos.

Aliás, uma iniciativa interessante da Abril que acompanhei no ano passado foi o site em comemoração ao Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. Além de notícias e da agenda de eventos, contou com a publicação de blogs comandados por pessoas envolvidas com a temática (dekassegui, cultura pop japonesa). Mas o mais interessante foi a contribuição dos próprios usuários através de histórias, fotos e vídeos. Posteriormente, todo o conteúdo do site, incluindo a participação dos usuários, foi doado para a Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e Assistência Social (Bunkyo). Uma forma bem inteligente de coletar e preservar histórias da comunidade nikkei.

Já o diretor do Estadão Online fez uma apresentação baseada na História, voltando no tempo até meados do século XIV, com a invenção de Gutemberg. Fez uma rápida comparação da indústria de notícias com a indústria fonográfica. “Assim como qualquer indústria, precisa de hora marcada, local determinado, divisão de tarefas”. E ainda disparou a pergunta: “quando virá o nosso Napster?”.

Nesse caso, acredito que haverá uma participação mais efetiva de internautas, mas também haverá uma permanência de fontes de informação confiáveis. Na Internet, todos são produtores de conteúdo, mas nem sempre esse conteúdo pode ser confiável e raramente esse conteúdo pode ser considerado jornalístico.

A função do jornalista será a mesma, apenas haverá uma adaptação para as novas tecnologias. Quem não participar de uma comunicação mais igualitária, vai ficar de fora. O modelo de jornalista como um “ser superior, intocável”, já era. A relação vai ficar muito mais próxima, relativamente mais humana, e mais colaborativa. Aliás, esse ponto foi recorrente durante todo o seminário.

A segunda mesa teve como tema “entretenimento na geração We Media”, com Julio Daio Borges, fundador e editor do site Digestivo Cultural, e Phelipe Cruz, editor do site da revista Capricho.

Borges explicou um pouco sobre a história e o funcionamento do Digestivo. Já seu colega de mesa falou da experiência da revista Capricho dentro de mídias sociais, com ações cross-media, monitoramento, contato com o público adolescente. Pelas perguntas, também foram abordadas as normas da Folha e da Rede Globo para a utilização de mídias sociais, os episódios envolvendo artistas e Twitter, e subcelebridades que estouraram pela Internet.

Já na parte da tarde ocorreu a última mesa de discussões, com Marcelo Soares, correspondente do Los Angeles Times e colunista de política do Notícias MTV, e Pedro Valente, jornalista e desenvolvedor do Yahoo! Brasil. O tema foi “datamining e APIs na produção de informação”.

Soares, que é participou do premiado projeto Excelências, falou sobre a utilidade dos bancos de dados, somados a documentos públicos, para o jornalista. Ele citou o EveryBlock como um exemplo de transformar dados dispersos em informação de relevância, e ainda comparou o jornalismo com dados com o new journalism de Gay Talese.

“Mas dados são jornalismo? Quem se importa? E tomara que meus concorrentes percam o tempo que for possível pensando nisso”, afirmou, citando Adrian Holovaty.

Já Valente defendeu o uso de APIs na produção de informação jornalística, na reunião de dados de diversos pontos da internet. Além disso, que sites de notícias e governamentais abram seus dados para um uso controlado e amigável por outros programadores ao desenvolverem aplicações. A apresentação dele está disponível no Slideshare.

Os dois ainda fizeram várias referências ao uso de banco de dados e de documentos públicos para o jornalismo na área da política. Não só como uma utilidade para apuração, mas também como transparência, uma vez que estes dados são abertos a acesso por qualquer internauta.

Acredito que a participação do jornalista nisso é auxiliar no desenvolvimento de ferramentas que possam agrupar esses dados em informações relevantes para os visitantes, com aplicações interativas e produção de conteúdo organizado e fácil de interpretar. Ou até desenvolver por conta própria. A Internet está aí, os dados estão soltos. Cabe a nós reuni-los e transformá-los em informações, contando também com a participação de outros internautas.

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