Qual o papel da universidade na formação do jornalista?

Nesta semana fui surpreendido no Facebook com mensagens falando sobre mudanças no curso de Jornalismo da Universidade Santa Cecília, onde me formei em 2008. A polêmica agora é a (nova) reforma curricular, e principalmente, de mudanças no corpo docente.

A alegação é que o MEC fará novas exigências quanto ao curso, que deixará de formar “bacharéis em comunicação social”, e sim “bacharéis em jornalismo”. Os alunos reclamam da saída remanejamento de uma professora de planejamento visual (aka. Diagramação com noções em Design Gráfico) para uma pífia disciplina de Introdução à Informática. E a disciplina de Telejornalismo teria apenas um professor, ao invés de dois. Outras informações sobre esse caso, aqui, aqui e aqui.

Não vou aqui discutir a competência dos professores. Até porque, para quem é da Baixada Santista, os dois dispensam apresentações. A questão, mesmo, que está por trás de tudo isso é uma coisa: a função da universidade na formação do jornalista. E isso é um problema que afeta muitas das universidades no País.

Após a queda da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão (por favor, não chamem de “queda do diploma”), em um período de transição no jornalismo, mais do que nunca está na hora das universidades chamarem para si a responsabilidade da formação profissional do jornalista.

E jornalismo não é barato. Precisa de espaço (estúdios de rádio e TV, redações laboratoriais bem equipadas, ilhas de edição, além das salas de aula convencionais) e de investimentos (equipamentos e corpo docente qualificado, além da atualização destes). Pela importância social e pelo custo, não é daqueles cursos que se monta e se leciona da noite para o dia.

Apesar de estar a cerca de 75km (45 minutos) de São Paulo, “onde as coisas acontecem”, o cenário é de atraso. Não só em termos de atualização quanto às discussões que norteiam a profissão onde o futuro é incerto, mas também de atitudes.

Nestes dois anos depois de formado, continuando minha carreira acadêmica e profissional, consegui perceber bem este abismo. O aluno que quiser se dar bem, tem que correr e muito por fora da universidade para ter não a certeza, mas uma chance.

Não é difícil passar pela minha cabeça que os dois anos de pós-graduação na Cásper Líbero e cerca de três seminários na Capital me abasteceram mais do que muitas das disciplinas da graduação. Seminários, aliás, que não chegam ao conhecimento de quem está em Santos. O que dirá do que é falado neles?

Enfim, já soube de bons projetos engavetados por questões de custo. Mais do que bons, necessários. Há problemas com ementas de disciplinas, que estão obsoletas, bem como alguns dos professores. Há burocracias e dificuldades com equipamentos.

Se a mídia está em grande transformação, o mercado de trabalho também está – mesmo que num ritmo mais lento. As universidades não podem se dar ao luxo de ficarem estagnadas esperando definições, trancos ou até um feedback negativo.

2 comentários

  • Sou estudante do terceiro semestre de jornalismo na Unisanta e me deparo todos os dias com o anacronismo da instituição. Como tenho 59 anos e estudo por dilentantismo, além de morar a centenas de metros do campus, eu tenho justificativas. Uma delas é que, morando a apenas tres anos em Santos, evito ao máximo subir a serra. São Paulo só para reciclagens periódicas de civilização.
    Mas os culpados da qualidade de ensino são os alunos. A grande maioria só quer o diploma, se não tiverem que assistir a nenhuma aula, melhor!
    Só depois de muito batalhar consegui assinaturas num abaixo assinado para conseguir melhorias nos equipamentos de radiojornalismo e computadores.
    Minha próxima batalha, que está em pré-projeto, será um site noticioso alternativo ao Online Unisanta, que considero antiquado não só nos textos, como no projeto gráfico.
    Afinal, um dos principais papéis da universidade é pesquisa.
    Sómente ousando novos formatos e testando-os junto ao público é que saberemos o que funciona ou não. Eu, confesso, não conheco jornalismo online realmente atraente. Com novas propostas, falando a linguagem do público-alvo (20~30anos, conectado). Tudo que está por aí é o velho modelão de30/40 anos atrás.
    Isso vindo de um cara de 59 anos é no mínimo preocupante, não acha?

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